Raymundo Moraes nasceu em Belém (PA) em setembro de 1872. Tendo concluído apenas o curso primário, era autodidata e seu trabalho é fruto da união de seus conhecimentos científicos e literários, com inspiração nas viagens que realizava pelas “artérias vivas da hiléia”.
Seus líricos relatos, carregados de emoção, são flagrantes que vivenciou e paisagens que impregnaram sua alma durante quase trinta anos. São crônicas de quem apreendeu com as águas e as gentes, com os seres da floresta, os ventos e as chuvas. Vamos reproduzir alguns parágrafos, dos capítulos, de um de seus livros, ‘Na planície Amazônica’, cujo primor literário nos reportam a um Euclides da Cunha de quem era grande admirador e discípulo sem, contudo, se deixar influenciar ou perder seu modo próprio de dizer as coisas, de interpretar as matizes telúricas carregadas de amazônico nativismo. (REIS E SILVA, 2009).
Referência: Disponível em:. Acessado em dez. 2012.
Mapa das etnias indígenas presentes nos séculos XVI e XX
Referência: VENTURA, N. C. Índio: recontando a nossa história. 2 ed. rev. e ampl. – São Paulo: Noovha América, 2008.
Algumas etnias localizadas na Planície Amazônica
KAYAPÓ
Como os demais guerreiros jê, os kayapó se destacaram ao longo da história por defender bravamente seu território. O verdadeiro nome da etnia é mebengokê, que significa “gente do buraco da água”. Segundo sua tradição, o povo surgiu de um buraco e passou pela “grande água” do rio Araguaia.
Com a ocupação portuguesa da região norte de Goiás, os kayapó se refugiaram nas matas do sul do Estado e no Pará. Os indígenas dessa etnia usam botoque na orelha e, algumas vezes, no lábio inferior, Homens, mulheres e crianças pintam o corpo ricamente. Essa pintura, além de servir como vestimenta, é uma forma de comunicação. Ela indica alegria, dor, tristeza ou agressividade. Pode-se dizer que a pintura para os kayapó é uma forma de escrita e expressão. Muitas de suas pinturas corporais são verdadeiras obras de arte com traçados geométricos.
Outra característica do mundo kayapó é a marca das oposições: dia e noite, preto e vermelho, Sol e Lua, chuva e seca, homem e mulher. Até a construção das aldeias apresenta oposição. O centro é o lugar dos homens, da casa dos solteiros, onde eles reúnem e fazem artesanato. Na parte externa ficam as casas das famílias, onde a autoridade é exercida pela mulher. A chefia da aldeia se alterna na época da seca e na época das chuvas. Para os kayapó, os opostos não são excludentes, mas sim complementares.
TUPI
Não resta dúvida de que os povos tupi tiveram grande influencia na formação da cultura brasileira, pois ocupavam a região litorânea na época da chegada dos europeus. Eles foram, assim, os primeiros a ter contato com esses invasores. Os tupi, dos quais os tupinambá, tupiniquim e potyguara são alguns representantes, não só não resistiram ao domínio português, como também fizeram alianças com os brancos. Tal é a importância desses povos nas nossas referências culturais que, ao se falar em indígenas, pensa-se logo na cultura tupi.
Esses povos caracterizam-se por carregar em si seu mundo cultural. Por essa razão, não se sentem apegados à terra, o que facilitou sua dispersão para o interior do território brasileiro. Vivem em aldeias pequenas, em casas construídas em círculos e um pátio central circundado por uma ou duas cercas de troncos de árvores, usadas como proteção contra ataques inimigos. Nas casas, vivem famílias numerosas, com pais, filhos e genros. Seu interior não tem divisões, mas cada casal ocupa um canto. Dormem em redes, e a mulher faz a comida.
Como povos horticultores, cultivam a mandioca, o milho, a batata-doce, a pimenta e o cará. Plantam também o fumo, que é usado não apenas para aliviar o cansaço e a fome, mas também como elemento ritualístico. As mulheres tupi cuidam das crianças, do preparo da comida e das bebidas para as festas, da fabricação da cerâmica, da plantação e da pintura do corpo. A criança é muito importante na comunidade, por isso tem-se grande cuidado com sua educação. Ensina-se aos curumins o respeito pelos mais velhos e as tradições do grupo. Não são aplicados castigos físicos.
Um chefe comanda as aldeias. Ele é escolhido em épocas de guerra ou de trabalho, momentos em que a participação de todos se faz necessária. Os pajés dirigem as cerimônias religiosas. Os espíritos possuem importante papel na cultura tupi. Acredita-se em Curupira, protetor das florestas, em Yupiara e Yara, moradores das águas dos rios, em Boitatá, cobra de fogo, em Macaxera e Anhangá, espíritos maléficos, além de outros seres encantados.
Entre várias marcas dos povos tupi na nossa cultura, podemos destacar o uso de redes para dormir, consumo de farinha de mandioca e chimarrão e o hábito do banho diário. Ainda hoje, cerca de 44 povos pertencentes a essa etnia vivem espalhados em todo o país, lutando para não perder sua cultura, língua e tradição.
ASHANINKA ou HANINKA
Este povo vive nas regiões fronteiriças entre o Brasil e o Peru. Os habitantes do lado brasileiro estão sediados no Estado do Acre, entre os rios Amazonas, Arara e Breu. Sua língua pertence ao tronco linguístico aruak. Apesar do longo tempo de contato com os brancos (cerca de 400 anos), os haninka preservam de maneira surpreendente sua cultura. São agricultores e o seu principal cultivo é a mandioca. Coletam também frutos silvestres e pescam. A caça é a atividade mais valorizada. Vivem em pequenos grupos espalhados pelas florestas. Uma característica do grupo consiste no uso de roupa por todos os membros da aldeia.
WAYANA-APARAI
Vivem na Serra de Tumucumaque, no norte do Pará, e também são chamados de aparai. Formavam no passado dois grupos distintos, ambos de língua karib. Hoje, por causa da pressão dos invasores brancos, formam um único povo com população de cerca de 400 pessoas. Eles se distinguem dos demais povos da Amazônia por serem grandes artistas, produtores de peças de artesanato e, principalmente, de cestarias ricamente decoradas. Vestem-se com tangas vermelhas e enfeitam-se com colares e pulseiras de miçangas.
Vivem à beira de rios, onde constroem suas aldeias em forma de círculos irregulares, no centro das quais fica a casa de reunião. As casas familiares são pequenas, pois abrigam somente a família nuclear, composta geralmente de quatro a seis pessoas.
A liderança da aldeia se impõe por meio de aconselhamentos e não de forma autoritária e impositiva. O líder Tamuxi sempre sugere, propõe e dá exemplos. É um povo muito alegre. Tudo é motivo para festejar: a chegada de um visitante, uma boa caçada, a construção de uma casa e a mudança de uma aldeia. A festa mais importante é o ritual da Tocandira, a formiga de fogo, uma prova de resistência guerreira.
Os wayana e os aparai acreditam que os animais e plantas têm um princípio vital que tomam a forma de espíritos. Por isso, no passado, antes da caçada, realizavam ritos e preces aos espíritos das florestas. Creem também que o homem é animado por um espírito, o akwari,que com a morte física se subdivide, uma parte permanecendo na aldeia. Sendo assim, ficar na proximidade da residência de um falecido é nocivo para os parentes, o que resulta no abandono da aldeia, principalmente quanto o morto é um pajé ou um indivíduo importante.
Para esse povo, todas as doenças e mortes são atribuídas aos feitiços de xamãs. Logo, a cura só acontece se o espírito meu for retirado pelo pajé.
YANOMAMI
Os yanomami vivem no norte da Amazônia e ficaram mundialmente conhecidos pelas denúncias de massacres e desagregação física e cultural decorrente do contato com a sociedade brasileira. Esse confronto desastroso se deu de forma mais intensa durante a construção da Perimetral Norte, a implantação do Projeto Calha Norte pelas Forças Armadas e a invasão da região por mais de 40 mil garimpeiros. Na ocasião, houve a contaminação dos rios por mercúrio, a devastação da floresta, a construção ilegal de campos de pouso e a disseminação de doenças, conlfitos e mortes.
Por serem originários de regiões montanhosas, os yanomami constroem suas aldeias em terreno alto, longe de grandes rios. Sua aldeia é formada por uma única casa comunal e por pequenas roças. Na floresta (uriki) está o seu mundo, pois lá moram os espíritos e dela vem o equilíbrio físico e mental.
As roças são feitas em círculo e cultivadas por dois ou três anos. As aldeias são formadas por um número pequeno de pessoas (30 a 150). Quando elas crescem, promove-se uma divisão, que resulta na formação de uma nova aldeia. A vida gira em torno de dois líderes: o chefe guerreiro e o pajé (xapori), que é o responsável pela relação entre os homens e os espíritos na cura dos doentes e na proteção da aldeia. Oxapori também gaurda os segredos dos antepassados e conhece os mitos. As crianças são respeitadas, gozam de grande liberdade e desde cedo participam das altividades da aldeia, imitando os adultos ou assumindo tarefas.
Entre os yanomami, a morte é um acontecimento de destaque. O corpo do morto é preparado para a viagem: os cabelos são cortados e o corpo colocado na posição fetal, embrulhado e disposto num caixote pendurado em uma árvore. Ao decompor-se, os ossos são raspados, lavados, triturados em pilão e queimados. Parte das cinzas é enterrada onde a família faz a fogueira, e a outra parte, misturada com mingau de banana e ingerida por todos. Dessa forma eles adquirem a força e as qualidades do falecido. As cerimônias funerárias duram vários dias e contam com muitos convidados. É a oportunidade de estreitar laços de amizade e realizar caçadas, brincadeiras e cerimônias religiosas.
SATERÉ MAWÉ
Os sateré mawé, povo de língua tupi, vivem em várias aldeias na região do médio Amazonas e na vale dos rios Marau e Andirá. Eles são apontados como os responsáveis pela introdução do guaraná na região. Têm forte tradição agrícola. Costumam comemorar a colheita bebendo tarubá, uma bebida fermentada tão forte que pode causar embriaguez por um mês.
A formiga tem um significado muito especial para o povo e é bastante respeitada. Apesar de a picada ser muito dolorosa, os meninos da etnia têm que colocar a mão em uma luva cheia de formigas e resistir à dor para demonstrar coragem. Só depois disso passam a ser considerados adultos. Os sateré referem-se ao seu lugar de origem como Nocoquem (morada do herói místico), uma região de floresta densa e pedregosa, cujas rocham falam.
PAUMARI
Os paumari são povos de língua da família arawá. Habitam o Rio Purus, no Amazonas, e são nômades. São um dos poucos grupos indígenas de médio Purus que sobreviveram aos confrontos armados do ciclo da borracha, que arrasaram vários nativos dessa região no século XIX. Suas habitações são constuídas em balsas, chamadas flutuantes. As casas têm em geral dois cômodos: um para dormir e fazer reuniões e outro para cozinhar. Além dessa habitação, os paumari vivem também em moradias temporárias, construídas com folhas de palmeiras, onde permanecem durante o período de coleta de castanha-do-Pará ou de outros produtos da floresta.
Fabricam alguns objetos domésticos, como cestos, peneiras, esteiras simples e cerâmicas sem pintura. Suas embarcações para pesca são canoas estreitas e longas, com remos cujas pás são ovais e pontudas. Os paumari são grandes usuários de rapé (um pó estimulante), que antigamente era empregado nas práticas xamânicas (práticas de cura) e hoje é consumido como entorpecente.
URUBU KAAPOR
Os urubu kaapor são prováveis descendentes dos tupinambá do litoral maranhense. Esse povo está adaptado intimamente à vida na mata, o que se evidencia em sua autodenominação: kaapor, ou "moradores da mata". Até em sua mitologia a floresta está presente.
Para sobreviver neça, os urubu tiveram de recriá-la mentalmente, dar nomes às coisas e atribuir-lhes sentido e utilidade. Da floresta amazônica eles tiram frutos alimentícios, matéria-prima para confecção de seus artefatos e construção de suas casas, arcos-e-flechas, cipós e folhas para amarrar e tecer, resinas para colar, fazer fogo e defumar, e árvores e plantas, a partir das quais fabricam tintas, venenos e remédios.
A mesma relação que criam com as plantas foi estendida aos animais, que também foram catalogados e receberam nomes e significados. Os urubu elegeram algumas espécies para servir de alimento, cercaram outras de restrições e proibiram a utilização alimentar da maioria. A etnia tem um profundo conhecimento dos hábitos doa animais, não só dos que utilizam como alimentos, adornos e artefatos, mas de quase todos que compõem a fauna da floresta que habitam.
Referência:
VENTURA, N. C. Índio: recontando a nossa história. 2 ed. rev. e ampl. – São Paulo: Noovha América, 2008.
Na disputa pelas drogas do sertão no século XVII, os portugueses avançaram sobre a região do Vale do rio Negro,na Amazônia, onde a população indígena tinha grande densidade. Além de empregarem os índios na coleta dos produtos, interessava aos portugueses expandir as fronteiras territoriais do império e comercializar escravos indígenas.
Este processo foi iniciado com a construção , em 1669, da fortaleza de São José da Barra, na foz do rio Negro (*). Nessa época, o jesuíta Antonio Vieira afirmou que mais de 2 milhões de índios já haviam sido mortos no processo de colonização de Estado do Maranhão e Grão-Pará (PREZIA & HOORNAERT, 2000).
No Vale do rio Negro, região do rio Jurubaxi, viviam os índios Manao (FARAGE, 1991), povo guerreiro de língua aruák que dominava outros povos indígenas daquela bacia hidrográfica. Os portugueses trocavam os índios cativos dos Manao por armas, ferramentas e utensílios diversos, recebendo ainda apoio desses índios nas expedições da preação de outros povos. Huiuebene, tuxaua manao que mantinha esses vínculos, acabou morto pelos portugueses devido a desentendimentos comerciais.
Em 1723, os Manao decidiram vingar Huiuebene. O guerreiro Ajuricaba, seu filho, afastou as aldeias indígenas dos povoados portugueses e comandou ataques através de emboscadas. Os holandeses da Guiana cediam armas aos índios, buscando alianças que não se efetivaram nas áreas de fronteira.
O Pe. Jesuíta José de Souza tentou inutilmente convencer os índios a encerrarem o conflito, procurando coopetar Ajuricaba (FARAGE, 1991). Souza acabou informando à Coroa portuguesa que Ajuricaba deveria ser subjugado pelas armas.
A Lei de 28/04/1688 considerava como “justa” a guerra contra os inimigos da fé católica e contra os índios que não reconheciam os domínios reais, ameaçando o Estado português. Baseados nessa lei de 1688, foram elaborados dois “Regimentos de Tropa de Guerra e Resgates no Rio Negro” contra os índios Manao, enfatizando em 1724 e 1726 que esses índios eram criminosos por desejarem as propriedades de suas terras no Vale do rio Negro. Ajuricaba tornou-se criminoso por combater os “resgates” e não desejar alianças com portugueses, impedindo a conquista de mão-de-obra necessária ao projeto colonial português (CARVALHO, 1998).
Portugal ampliou os recursos militares para o rio Negro, enviando uma expedição militar com forte artilharia para bombardear as aldeias indígenas. Belchior Mendes de Morais, comandante da expedição, seguiu destruindo aldeias e matando os índios habitantes do rio Negro e seus afluentes. Cálculos oficiais falaram em mais de 40 mil índios mortos, além do extermínio do povo Manao. Aprisionado com centenas de outros índios Manao, Ajuricaba rebelou-se a caminho da prisão em Belém, morrendo afogado ao se atirar no rio Negro para escapar dos portugueses.
Ajuricaba tornou-se um mito da Amazônia, presente ainda hoje na memória do povo (SOUZA, 1978, 1979; CARVALHO, 1998).
A Cabanagem
A Cabanagem, movimento político constituído no Pará e no Amazonas pelos cabanos – aqueles que moravam em casas pobres, cabanas – expressou um momento das lutas liberais pela independência e igualdade no Brasil no séc. XIX. Cabanos eram os “Tapuias” (termo utilizado na Amazônia para os índios que já eram cristãos e mantinham contatos pacíficos com os brancos, à diferença dos “índios bravos”), os negros escravos, os grupos indígenas diversos e a população cabocla ribeirinha, sendo os “Tapuios” majoritários na revolta (MOREIRA NETO, 1988). Aliados a pequenos proprietários, foreiros e outros trabalhadores explorados por uma estrutura de produção e subordinação do trabalho a intermediários, constituíram revoltas populares no norte do Brasil contra interesses políticos conservadores. As diferentes trajetórias sociais dos integrantes das revoltas determinaram as lutas e as contradições que marcaram as várias fases da Cabanagem.
Entre as causas do movimento, os especialistas costumam assinalar: a destruição e a desorganização infligida aos povos indígenas; a inexistência de trabalho pedagógico leigo junto aos índios; a escravidão e a negação de cidadania aos “Tapuios”; a morte de mais de 200 paraenses num navio prisão, em decorrência das lutas pela independência do Brasil; os golpes institucionais de políticos regionais do Partido Caramuru (restaurador), contrários à tomada de poder pelos partidários dos cabanos; a espionagem e a prisão de propagandistas liberais; a impunidade de assassinos de trabalhadores cabanos (DI PAOLO, 1990).
O movimento político da Cabanagem tentou se impor como politicamente hegemônico, defensor das ideias republicanas e de uma autonomia em face do Estado brasileiro. Logo abandonou os ideais separatistas, centrando a luta política na defesa da liberdade dos escravos e da cidadania dos cabanos.
As primeiras iniciativas revolucionárias dos cabanos, em janeiro de 1835, decorreram da junção das lutas dos povos da Amazônia à difusão dos ideais liberais revolucionários, realizada por propagandistas como Felipe Alberto Patroni. Este era proprietário de O Paraense, jornal que defendeu a independência do Brasil, estando diversas vezes ameaçado de destruição. Outro líder da revolta foi o cônego Batista Campos, padre e advogado que assumiu a direção de O Paraense (DI PAOLO, 1990). Campos foi preso por divulgar o manifesto de independência de D. Pedro I, sofrendo em seguida um atentado que o deixou gravemente ferido. Ao dirigir a luta jornalística e jurídica contra interesses portugueses, tornou-se o conselheiro mais votado do Conselho Presidencial do Pará, consolidando sua liderança diante do movimento cabano. Sua morte prematura e suspeita, às vésperas da insurreição popular, acirrou os ânimos revoltosos. Campos gestionava para que não houvesse guerra civil no Pará, o que não conseguiu impedir.
Os breves governos cabanos de Clemente Malcher (7/01 a 19/02/1835) e Francisco Vinagre (21/02 a 20/06/1835) foram marcados por conflitos políticos internos entre diversos interesses em disputa e o início de uma reorganização administrativa, enquanto enfrentavam forças militares legalistas e o bloqueio naval de Belém. Os portugueses reconquistaram Belém por um curto período (26/6 a 15/07/1835), instalando um governo despótico e um regime de terror com prisões e execuções sumárias. Liderados pelo seringalista Eduardo Angelim e outros revoltosos, os cabanos retomaram o governo paraense instaurando o terceiro governo cabano, dirigido pelo seringalista Angelim (23/08/1835 a 13/05/1836). Em 1836, um exército enviado pela Regência brasileira e comandado pelo general Francisco D’Andréa cercou Belém, provocando a retirada dos cabanos para o interior do Pará. Na corte imperial temia-se o projeto de autonomia do Pará. A última fase de luta envolveu, por alguns anos, ao longo da Amazônia, diversos combates de grupos dispersos de cabanos enfrentando as forças imperiais do Brasil, o que resultou num massacre de inúmeras comunidades indígenas e “Tapuias”, abrangendo mais de 30.000 cabanos (HOLANDA, 1936).
Francisco D’Andréa aprisionou centenas de cabanos em navios no porto de Belém. Entre 1837 e 1838, devido ao contágio de doenças (varíola, escorbuto, etc.) e diante de condições carcerárias degradantes, D’Andréa reconheceu a morte de mais de duas centenas de cabanos apenas na corveta Defensora (MOREIRA NETO, 1988). Desses prisioneiros, quase 40% eram “Tapuios”, e perto de 6% índios. A repressão que se espalhou pela Amazônia atingiu grupos indígenas como os Maué, quilombos e comunidades de “Tapuios”. Grupos envolvidos na economia regional, como os Mundurucu do rio Tapajós, foram lançados contra índios “rebeldes”, como os Mura do rio Madeira (MOREIRA NETO, 1988). Apesar de os “Tapuios” serem em maior número, nunca estiveram na direção política da revolta, comandada por segmentos médios da sociedade (pequenos proprietários, religiosos etc.).
Velhas rivalidades locais estimularam interesses específicos e lutas regionais num processo crescente de tensões e deliberações antagônicas. A historiografia tradicional da Cabanagem não valorizou a resistência e as lutas indígenas no Pará e no Amazonas, estabelecendo cronologias simplificadoras. Buscar dados sobre índios e “Tapuios” da Cabanagem é enfrentar uma literatura marcada pelo estereótipo dos cabanos (BESSA FREIRE, 2001b), oscilando entre versões “depreciativas” ou “apologéticas” das revoltas, que não contribuem para a compreensão dos processos de rearticulação étnica que então ocorreram.
Referência: OLIVEIRA, J. P., FREIRE, C. A. R. A Presença Indígena na Formação do Brasil. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade; LACED/Museu Nacional, 2006. 268 p.
Programa nacional de sondagem sobre reservas de minerais usados em aparelhos de alta tecnologia ganha fôlego em Roraima e Amazonas.
Apesar de ter começado no ano passado, com orçamento de R$ 18,5 milhões até 2014, o programa ganha corpo em 2012. “O orçamento para terras raras nesse ano é de R$ 1,35 milhão, mas se os resultados forem bons podemos deslocar recursos de outros minerais.
A Mineradora Vale está flertando com o mercado de terras raras, como parte de seu projeto para ampliar o peso de minerais mais rentáveis a seu portfólio, concentrado em minério de ferro. E já anunciou a incidência de terras raras em ativos comprados da Fosfértil e agora faz pesquisas para medir se a incidência dos minerais em suas reservas de fosfato é comercialmente viável.
A empresa não revela detalhes do estudo nem os valores envolvidos na pesquisa. Para este ano, o plano de investimentos da mineradora destina US$ 981 milhões para um programa global de exploração mineral. A divisão de fosfato e potássio, onde pode haver terras raras, recebe US$ 50 milhões.
Buscamos relacionar o uso da terra e as outras relações geográficas que ocorrem na Planície Amazônica com os agentes endógenos através de um olhar geográfico, isto é, a partir de um olhar que busque apresentar as geografias, os espaços produzidos na interação da sociedade com os fenômenos endógenos.
O espaço geográfico da Planície Amazônica se configurou a partir da apropriação de um fenômeno natural estritamente relacionado aos agentes endógenos. E, por isso, é preciso compreender como se dá a ocorrência das planícies do Rio Amazonas nessa região para compreender a geografia da planície do Rio Amazonas, que é o segundo rio mais extenso do planeta, apresenta 6,4 mil quilômetros, sendo menor apenas que o rio Nilo (7.400 quilômetros). No entanto, apresenta a maior vazão de água. A nascente do rio Amazonas está localizada no lago Lauri, nos Andes do Peru. O rio Amazonas está presente nos países do Peru, Colômbia e Brasil, em sua bacia hidrográfica estão também os países da Bolívia, Equador, Venezuela e Guiana.
Outra característica marcante do rio Amazonas é o fenômeno da pororoca, que consiste na formação de ondas provenientes do encontro violento das águas do rio com o oceano Atlântico, a pororoca acontece principalmente no mês de outubro, pois nesse período o nível do rio está baixo e a maré alta.
A Amazônia corresponde a uma das maiores regiões, ainda desconhecidas, com potencialidades para descobertas minerais. Os programas de geologia revelam uma considerável variedade de ambientes geológicos de minerais, desde os mais utilizados na indústria até os mais valiosos.
Devemos salientar, que boa parte dos depósitos minerais, embora estejam relacionados a rochas pré-cambrianas, foram formados através de processos de enriquecimento - laterização, erosão e concentração - em tempos mais recentes, do Terciário ao Quaternário.
Os primeiros depósitos de cobre foram descobertos na região de Carajás, na década de 1970, os garimpos de ouro começaram a adquirir importância a partir da descobertas do distrito Aurífero do tapajós, envolvendo quase 1 milhão de garimpeiros.
Província Mineral de Carajás
Dentre as áreas pré-cambrianas da Amazônia, destaca-se a "província mineral de Carajás". Sua evolução foi beneficiada por uma série de eventos geológicos, todos favoráveis á formação de depósitos minerais. A conjunção de fatores endógenos como o tectonismo, vulcanismos, plutonismos, intemperismos e erosão, ocorrida em uma área relativamente limitada - com cerca de 40 mil quilômetros quadrados - deu origem a um conjunto expressivo de jazimentos minerais com interesse econômico bastante significativo.
As jazidas de Ferro de Carajás possuem um potencial de 18 toneladas de minério, o que correspondem á maior concentração de alto teor já localizado no planeta.
A Companhia Vale do Rio Doce, iniciou sua exploração em 1985, e mais recentemente expandindo, o que gerou uma capacidade anual de cerca de 50 milhões de toneladas de ferro. Sendo quase o total deste minério destinado ao mercado externo (Japão, Alemanha, Itália e outros).
O conhecimento da geologia da Amazônia, de modo geral, ainda é bastante preliminar, porém as potencialidades minerais desta região se afloram grandemente. Torna-se necessário maiores investigações e investimentos em estudos científicos básicos.
A Planície Amazônica é uma vasta área de terras baixas e planas que
corresponde à Bacia Sedimentar Amazônica, onde se distinguem
alongadas faixas de sedimentos paleozóicos que afloram na sua porção
centro-oriental, além de predominar arenitos, argilitos e areias terciárias
e quaternárias. Localizada entre o planalto das Guianas ao norte e o
Brasileiro ao sul, a planície é estreita a leste, próximo ao litoral do
Pará, e alarga-se bastante para o interior na Amazônia Ocidental. A
imensa área de terras planas e baixas (a altitude raramente supera os
200 m) que constitui a planície, quando observada com maior cuidado,
demonstra que a suposta homogeneidade é aparente, sendo possível
distinguir pelo menos três áreas distintas, que se sucedem a
partir das margens dos rios: várzeas, teso e firmes.
Este blog foi elaborado para uma atividade de hipermídia por: